Bom? talvez...

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Só para dizer que eu sou sem graça.

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Impossível não lembrar de Chaves (kkkkk) 
Nesta mesma hora, neste mesmo canal

Impossível não lembrar de Chaves (kkkkk)

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Feb 3

E se ler matasse?

Perca seu temp, como eu perdi (kkkk) jogue aqui

Quem salva o herói? #3

Eu sou um otário, quer dizer, algumas vezes eu penso sou melhor do que estas pessoas, olhe para elas, nenhuma possui nada a oferecer, são estritamente chatas, preocupadas com idiotices ou com coisas que eu posso resolver em minutos. E ainda eu me pergunto o motivo de ser um fracassado, o que acontece é que eu sou como eles.
—Silêncio na sala, se continuarem assim eu vou dar como dado o assunto e coloco na prova e ninguém venha reclamar, porque se quisessem aprender garanto que estariam calados—Falou o demônio em forma de professora, será que ela não poderia inovar esse discurso chatíssimo?
Pensando bem, não sou melhor do que os meus colegas, eles são mais felizes do que eu, eu sou apenas um otário, que tem medo de aceitar isso e por isso acha-se o sujeito superior e mal compreendido.
“Meu Deus, eu não vou não passar de ano isso é difícil demais, ave meu Deus o que é isso?” Os seus pensamentos pareciam alarmantes. Não sabia muito bem como solucionar a questão, mas como Luci parecia ser umas das poucas pessoas que não foram condicionadas a serem legais comigo, ou que por motivação própria querem se aproveita, decidi ajuda-la no assunto.
—Quer uma ajudinha no assunto?—Perguntei
— claro que eu quero— “Só você mesmo para me ajudar” ela pensou.
Luci era do tipo de garota meiga que esconde os seus encantos, ela tinha um rosto bonito, um cabelo castanho que caia sobre os ombros, vestia roupas discretas, não era algo pelo qual eu me incomodava, afinal ela era apenas minha amiga, apesar de já ter lido os seus pensamentos e descoberto que ela tinha um interesse por mim, ainda acho que foi apenas algo que foi conduzido a ser pensado. Ela nunca iria reparar em alguém arrogante como eu, o curioso é que eu não me recordo muito de conduzi-la a isso.
“Por que ele está me encarando?” Seus pensamentos gritavam mais uma vez. Droga esqueci o código de ética! Não posso ler os pensamentos de algumas pessoas. Bem, já que comecei posso dar uma rodada pela mente de algumas pessoas.
“Porque aquela peste, não para de falar tanta… O que é que aquele doido quer comigo, não para de me encarar?”
Depois de ler os pensamentos de Mateus decido parar com isso, é melhor. Assim como Lucia, Mateus entra no grupo amigos e pessoas que não violados os pensamentos.
—professora, tô achando a senhora muito chata, esse assunto é difícil demais, você não pode coloca-lo na prova não, não vai dá tempo de estudar não!—Alice reclamou. talvez eu pudesse ajuda-la ensinado esse assunto, ela podia ir para casa , agente conversava e eu a convencesse que eu não sou um fracassado, mas é aí que eu lembro que eu não sei muito esse assunto e que devo esquecer dessa história.
Não aguentando mais ver aquela situação caótica dos alunos suplicando por misericórdia na hora da correção e elaboração da prova. Decido sair da sala, felizmente tenho um motivo! Tinha que pagar a mensalidade, se bem que o certo era fazer essa porcaria na hora do intervalo, mas a minha paciência acabara e também não tinha nenhuma coisa para me entreter, o assunto de química era algo do demônio.
Felizmente, o caminho até o “campo de finanças” não era algo desgastante, assim já sobrava energia para ficar em pé esperando para ser atendido caso estivesse cheio de pessoas. A sala possuía um espaço razoável, possuía em torno de umas vinte cadeiras azuis enfileiradas e separadas de modo que deixasse o meio livre. No setor três funcionários atendiam.  Quando um lugar qualquer na terceira fila foi cedido, sentei-me e não demorou em que notasse algo repugnante na minha frente. Aquele heroizinho estava sendo atendido. Decidi que poderia brincar com a sua mente novamente, o xingar de otário, fracassado e outras palavras menos dignas de serem enumeradas.
“Será que isso não pode ser mais rápido? Não tenho tempo para ficar aqui, não me sinto muito confortável, estou confuso, eu não posso ter perdido meus poderes, tenho que pensar ainda sobre isso, pesquisar, mas aonde? No fundo nunca recuperarei essa porcaria de poderes. O importante é…”
Isso é impossível! É bom de mais para ser verdade, obrigado meu Deus, obrigado mesmo. Isso é perfeito. Tenho que admitir: eu acho é pouco,  seria muito mais agradável se ele tivesse perdido seus poderes em suas rondas e com isso ter levado uma surra. Não, isso já é demais, não posso desejar o mal dos outros. Espere um pouco… Mal?!  Mal dele, não dos outros, ninguém precisa de um herói, por todo o mundo vivemos e estamos vivos. O que não precisamos é de idiotas que pensam que são melhores do que os outros e que usam os seus dons para terem status. Tá bom, eu também faço isso às vezes, só que com a minha preciosa sutilidade. De qualquer forma, se ele é um herói deveria lutar pela justiça e não pelo seu ego. Desculpe-me os policiais, mas vocês vão ter que trabalhar de novo.
“Ninguém pode saber disso, por enquanto não… Mas quem eu vou enganar? Nunca terei a coragem de contar isso para ninguém”
Seus pensamentos me divertiam. Poderia atormentá-lo, falar mentalmente que eu sei que irei espalhar isso para todos, contudo, isso soa covarde, não quero atormentá-lo dessa forma, meu desejo é encará-lo e falar isso.
Perdido nesses pensamentos dignos de um psicopata, uma mulher passou na minha frente. Preciso ficar mais atento e planejar como irei me encontrar com o herói.


Milagrosamente chegou as 11:50, finamente poderia ir para casa e planejar como iria efetuar meu plano, com a mania de querer pensar profundamente no caminho para casa, me apressei e fui  na frente, não queria que alguém me acompanhasse e começasse a falar besteira, ou se o assunto acabasse teria que forçar conversa. Embora pareça eu não sou um sujeito arrogante, sou apenas pensativo.
Vamos lá, pareço um otário andando apressadamente e sozinho, devo sossegar quando virar a esquina começo a andar devagar. Ainda não acredito que o herói perdeu os seus poderes, eu sei que não devia rir disso, estar alegre pela desgraça dos outros é um pecado, só que vendo bem isso nunca vai ser uma desgraça, isto foi a melhor coisa que aconteceu. —Devendo acabar logo com essa crise, comecei a pensar naquilo que realmente importava—Preciso primeiro intimidá-lo para depois perguntar como os seus poderes sumirão, mas se eu intimidá-lo, logicamente ele não vai responder nada, poderia apenas procurar na sua mente a resposta, mas não… Qual a graça disso? Preciso provoca-lo. E se eu disser que fui eu que destruí os seus poderes? —Olho para o céu com uma cara de demente— é muita burrice, e se ele bateu a cabeça no chão ou… Sei lá encontrou uma pedra que retirava os seus poderes— Que mente original você tem— Já está decidido; o provoco e depois me posiciono como um vilão, confesso que é um pouco forte essa palavra, enquanto leio os seus pensamentos e descubro, e na hipótese dele não saber, me posiciono como o causador e tento retirar mais informações, se ele conseguiu por que eu também não consigo?
Você não está usando a razão—alguma parte boa da minha mente tenta me ajudar.
Como não estou usando a razão? Eu não quero essa merda de poderes, não quero passar toda a minha vida pensando que as pessoas só falam comigo porque foram condicionadas, ou que certas coisas que acontecem a meu favor foram desleais, não quero saber o que as pessoas acham sobre mim nas suas mentes podres, doentias e superficiais. “Na verdade, eu tenho é medo de não me controlar ou saber realmente como as pessoas me vêm” Mais uma vez, a parte boa da minha consciência retruca. Droga não devia ter ido por essa rua.
Pingando de suor, e parecendo que andei por um deserto chego a casa, com uma sede dos infernos. Entro, jogo meus cadernos na mesa e vou para a cozinha.
—Já chegou?—Minha mãe pergunta.
“Não ainda estou lá no colégio, quero que conheça meu clone” —Já sim—Respondo enquanto o copo enche de água. “Droga de filtro”
—A sua revista já chegou, têm uma matéria sobre….
—Acho que a senhora deve cancelar a assinatura–A interrompo
—Por quê?
—A revista perdeu a credibilidade.
Quem quer saber de entrevista com o porra do Eduardo herói, cuzão que perdeu os poderes? Percebendo a minha variação de humor ela decide acabar com a conversa.
O almoço estava frio e rotineiro, a única coisa de diferente da refeição do dia anterior era o suco, desta vez era um refresco de uva, ou melhor, uma água rocha. Perdido em pensamentos começo a digerir aquela papa, ainda preciso saber como irei me encontrar com o herói. Sei que ele estuda pela tarde no colégio, só que discutir com ele no meio de todo mundo? Se pelo menos ele chegasse atrasado… Merda, se eu soubesse onde ele morava podia encontra-lo na rua. Rapidamente descarto esta hipótese. O mais correto é realmente encontrá-lo no colégio, o retardado tinha que chegar atrasado; por favor, me dia que ele chaga atrasado!—Deus têm coisas melhores a resolver— Espere, eu posso conversar com um dos colegas dele, tenho alguns deles no MSN, mas como perguntar isso de uma forma “natural”? A revista! É isso, pergunto se leram e como é que é ter um colega superpoderoso (e otário).
Tenho que confessar, sou um cara de sorte, uma das suas colegas respondeu rapidamente as minhas perguntas. Eduardo sempre chegava atrasado, só precisava esperar até amanhã e executar meu plano. Minha vida é a melhor coisa do mundo. Quem é que eu vou enganar? Já ia até esquecendo-se de falar quem sou eu. Enfim, quem eu sou? Sou apenas um otário, que pensa que sua vida é maravilhosa, eu não sou um herói, e nem aquele que pode salvar o mundo da sua imbecilidade, por quê? Simplesmente porque eu faço parte dessa imbecilidade.

P.S: Crédito do desenho: Vanessa Nascimento

Jan 7
Daytripper

Daytripper

Jan 4

Quem salva o herói? #2

A tarde parecia apenas seguia o ritmo do qual foi impregnada a andar, o tempo passava livremente. Os três amigos conversavam descompromissados, enquanto perambulavam pela rua perderem a maior parte da tarde debatendo o que iriam fazer neste tempo livre. Já era quase dezoito horas, Eduardo precisava chegar a casa. Apesar de ser um herói não deixou de ser filho de Luciana. O grupo despediu-se, embora não tivessem feito nada, o herói foi para sua casa satisfeito, já era alguma coisa, pelo menos não teria pensado no “e se”, afinal todas as opções de entretenimento foram pensadas.

O herói não demorou a chegar, tinha o enorme desejo de entrar logo na internet e pesquisar o seu nome no Google, a revista na qual deu a entrevista era de grande circulação, não demoraria em que canais televisivos ou mais revistas o entrevistasse. Ao entrar em casa e dar uma velha rodada pela casa e descobrir que estava sozinho, foi para o quarto e ligou o computador, esperou alguns minutos, clicou no ícone da raposa, depois de segundos o buscador com o logo colorido apareceu, digitou seu nome… O de sempre, talvez precisasse demais uma semana, a revista começou há circular dois dias antes. Surpresa! Achou um vídeo no Youtube, em que ele foi filmado quando estava em ação. “Quem diabos filmou isso?”. Enquanto o vídeo carregava, decidiu que iria procurar algo para comer.

Mal se passava uma hora e já não tinha nada para fazer, poderia fazer a sua ronda de herói, mas a cidade parecia tão calma, como todos os dias… Eduardo não sabia se poderia se sentir feliz ou chateador por isso, sentia um prazer em fazer justiça, todavia tinha medo de não conseguir, ou quem sabe matar alguém.

Eduardo escutou algum barulho engraçado, que lembrava o celular vibrando, só depois de alguns segundos foi que de fato percebeu que era o seu celular sobre a mesa. Correu, era um número desconhecido.

—Alô

—É Eduardo?

—É sim…

—Por favor, Eduardo me ajude—falava apressadamente— tem uns caras que querem roubar a minha casa, estão aqui nos observando, e eu estou aqui sozinha em casa com minha filha, meu marido ainda não chegou.

—Espere— tentou raciocinar— você tem certeza que esses que estão ai—a mulher precisava ser mais específica— e querem mesmo roubar a sua casa? Já chamou a polícia?

—Sei sim, eu conheço um fio do cabrunco que tá aqui, é um bandido brabo já arrumou confusão na rua—começou a chorar— já liguei para a polícia e eles disseram que não tinham como vim aqui, por favor, me ajude…

—Está bem, vou ver o que posso fazer, onde a senhora mora?

—Onde eu moro é mais ou menos de trás da prefeitura só que é em outra rua por alí. Virando pela casa do seu João que concerta…

O herói não prestou muita atenção nesses detalhes, não iria saber nunca por essas descrições, era melhor que ela descrevesse como era a sua casa e o seu nome.

—A senhora pode dizer o seu nome, ou descrever a sua casa? É que assim fica mais fácil de achar e até mesmo pedir informações pelo caminho.

—Procure pela casa então de Dona Maria Cleide, mulher de Gilberto que trabalha no hospital. A casa é amarela e tem um portão branco, a casa é sem número, fica do lado de um sobrado que é branco ou bege não sei, ou é a casa do lado que é bege…

—Está bem, estou chegando ai—Desligou o celular.

Dona Maria Cleide, mulher de Gilberto que trabalha na prefeitura, a casa é amarela e tem um portão branco, a casa é sem número, fica do lado de um sobrado branco, ou bege” repetiu para memorizar.

“Preciso mudar o meu número mais uma vez” repensou no que tinha dito “que tipo de herói eu sou? Esse é meu trabalho”.

Estava animado, tinha o que fazer naquela noite. Rindo de si mesmo, vestiu o seu uniforme, sempre que olhava apara aquela camisa azul com um enorme X branco e um raio amarelo sobreposto tinha que rir. “Já temos um uniforme para você” lembrou-se das palavras do seu patrocinador não muito criativo e muito generoso; o que no final das contas compensava.

Como sempre vestiu uma jaqueta, não queria sair na rua com um enorme logotipo de certa loja nas suas costas. De qualquer forma ainda tinha como desculpa o fato de que estava fazendo frio.

***

—Não seria melhor fazer isso outro dia?

—É claro que não!

—Sei lá, aquele heroizinho de merda, pode chegar e você sabe, por que agente não faz isso quando ele estiver ocupado ou no colégio? O povo disse que ele estuda pela tarde—Tentou convencer o líder mais uma vez

—Pela tarde! Sabe que é ruim por esse horário!—Os argumentos do medroso não eram dos melhores—Se você quiser ir vá, só sei que eu e Marcos vamos ficar aqui, não é?

Marcos não respondeu, decidiu olhar para o medroso.

—Se é assim eu vou então—Respondeu o medroso.

—Porra.

***

Não foi muito difícil encontrar a casa, mas de qualquer forma não se pode negar a importância de algumas pessoas no caminho que guiaram o herói. A rua era realmente desconhecida não ficava de trás da prefeitura, ficava apenas na rota, e um pouco longe para ser o lugar mais remoto da cidade. A casa de Maria Cleide foi logo observada pelo herói.  “O portão era azulado e não branco…” Foi à primeira coisa que pensou. Talvez pela euforia de ter encontrado a casa esqueceu que não poderia aparecer na rua normalmente teria que fazer isso escondido, só foi depois de andar alguns passos que se lembrou disso. Com um ar de “Eu sou muito burro” decidiu que iria arrodear o quarteirão e atacar por trás se fosse o caso, apesar de ainda não arquitetar a situação estava confiante, afinal ele era um herói! No seu autojulgamento ele era veloz, forte e sagaz e para os apreciadores da ironia ele era muito humilde.

Eduardo já se encontrada no outro lado do quarteirão, com pouca luminosidade ficava mais difícil pensar como iria chegar por uma rota mais digna de um herói. Decidiu que iria pelos telhados, era um plano burro, além de não saber andar por essa rota incomum, não tinha em mente ainda onde iria começar; começar pela casa da dona Maria alguma coisa só a deixaria mais preocupada. A única coisa que sabia era que não iria pelo sobrando, restando assim apenas à rota pela esquerda.

Apesar dos seus saltos serem excepcionais não era uma característica sobre-humana como a sua força ou agilidade, mesmo assim foi útil ao chegar ao telhado, útil também foi o muro do quintal de uma casa qualquer, se equilibrou naquela passarela e depois de um poucos minutos analisando pulou para o telhado da outra casa, precisava atravessar mais dois telhados e no percurso rezar por não ter quebrado o telhado no qual pulara.

Quando já estava indo para a outra casa se borrando de medo, olhou para a rua, não havia ninguém suspeito, ou melhor, nenhuma alma viva. Pegou o celular, verificou o registro de chamadas e ligou para a dona Maria neurótica de alguma coisa.

—Ah! Eduardo, que bom que você ligou, parece que eles agora estão no telhado, porque não estão mais na rua.

—Tô indo para aí explicar o que é.

Com um ar impaciente, foi se equilibrando para a borda do telhado e pulou, quase que desajeitadamente, porém não se machucara, seu corpo era mais resistente do que os dos meros humanos.

 Depois de aproximadamente vinte minutos com Maria Cleide se desculpando por ter sido paranoica e de ter feito o rapaz perder o seu tempo Eduardo pôde ir embora. Ainda que tenha dito “Não tem problema” queria esganar aquela senhora branquela, enrugada de cabelos negros e desgrenhados.

“Mais um dia na vida de um herói”. Não queria maisver aquela rua por muito tempo. O seu celular vibrou, era a mulher de novo. Quando iria atender a ligação se encerrou. “O que poderia ser? Talvez fosse mais um alarme falso, talvez…” 

Com o seu espírito de herói ativado, correu pelas ruas, iria fazer justiça!

—Socorro!—O grito foi abafado

Como de costume o coração do herói estava acelerado, quando adentrou na rua, pensava em como iria se apresentar, os possíveis insultos que nunca funcionavam, pensou como iria derrotá-lo… Derrotá-los eram três. Era algo estranho de se ver, não tinham o menor receio de serem notados, pareciam estar seguros que ninguém iria os interromper. A mulher e sua filha estavam na pose dos bandidos.

—Então, o idiotinha está ai— o seu tom enojava Eduardo—Foi você que o chamou não foi?

 O mal sujeito jogou o bolo gordo no chão e iria chutá-la ou até mesmo atirar na senhora. A garotinha gritou O herói se sentia mais rápido como nunca, com uma grande velocidade já estava próximo do bandido que como um reflexo olhou para o lado, parecia não entender, o que ficou mais confuso quando foi arremessado a alguns metros dali, tentou se levantar, todavia estava machucado, Eduardo se alegrou, pensava que tinha matado aquele homem. Desde que começou a ser um herói, possuía esse grande medo, o que foi remediado quando começou tentar se controlar a não provocar nenhum dano sério aos bandidos, já tinha ido até mesmo a justiça responder por esses atos heroicos, o que até agora ainda estavam em andamento, algumas pessoas querendo agradecer pagaram os melhores advogados.

“Droga deveria ter maneirado”. O comparsa já estava indo para cima do herói, que até agora não queria atacar, estava apenas se esquivando. Algo estranho estava acontecendo seus movimentos pareciam estar mais lentos, era algo sem a mínima lógica, Eduardo não estava cansado, tinha começado agora a lutar, o comparsa o socou.

Com uma fúria digna de um demônio iria revidar o golpe, mas com medo dos seus poderes e o quão mortal eles eram, mediou a sua força para um nível que julgava bastante para derrubá-lo, mas que na verdade a intensidade não foi à medida, algo estanho estava acontecendo.

—Parece cansado, o que foi? Salvou muitas vidas hoje?—o tom do terceiro elemento nem se assemelhava a uma zombaria, possuía um ar sério, mortífero—Que tal salvar esta?

O elemento posicionou arma em direção a mulher, só que sem parar de encarar o herói, estava decidido no que iria fazer, não tinha nenhum medo do herói, a sua indiferença era assustadora. Atirou. A garotinha mais uma vez gritou

Eduardo se esforçou na sua breve corrida, não estava rápido como antes, o elemento riu dele apontou a arma e atirou. Eduardo fechou os olhos e encurvou o corpo. Nada! A arma estava sem balas, o elemento deu um pequeno risinho sem graça. Eduardo com pânico e confuso começou a esmurrar o mal sujeito, ele não revidava, o puxou pela gola da camisa e começou a esmurrar o seu rosto.

“Por que você não morre? Desmaia, faz qualquer coisa. Estou fraco, onde está àquela força descomunal da qual eu tinha medo? Eu não posso voltar a ser um simples rapaz. Ele sabe o maldito deve saber, ele está rindo da minha cara” Apesar de estar sujo de sangue Eduardo não parava de soca-lo, só parou quando os poucos vizinhos apareceram, as sua expressões eram de medo.

—Eu só estava mostrando para esse infeliz que não se deve fazer isso ele matou essa mulher, queria fazê-lo pagar por isso que eu estava o esmurrando tantas vezes e de uma forma não tão prática. —Tentou se justificar.

—Eu estou bem…—uma voz fraca vinha da calçado

Foi agora que Eduardo viu que o tirou tinha sido no ombro, estava mais calmo, queria logo sair daquele local, queria logo entender o que se passava, mandou a vizinha que consolava a garotinha ligar e chamar alguma ambulância, ligar para a polícia, qualquer coisa.

Completamente confuso começou a correr, queria chegar cedo a casa, queria pensar, chorar, esquecer daquilo, tinha que organizar o seu pensamento, estava em pânico, “eu não posso voltar a ser um simples rapaz” aquilo se repetia pela milésima vez. Quase se esbarrava em uma senhora agasalhada que andava com algum guarda-chuva, que julgando pelo tempo, era usado como bengala, foi então que percebeu que ele ficava ridículo quando corria, decidiu que iria por ruas não muito movimentadas, poderia até se esbarrar com um alguém de má fé. Não importava ele era um hero… “Não posso voltar a ser um qualquer” Aquilo se repetia pela milésima primeira vez. Ele não tinha que se preocupar com isso, as pessoas ainda o temia, as pessoas ainda o considerava um super-herói. Estava muito cansado, precisava parar, já começava a chorar, sua visão estava embaçada, a luz dos postes ficaram com um aspecto curioso, passou a mãos sobre os olhos, lembrou-se do pânico e surpresa que sentiu quando descobriu os seus poderes, lembrou que renegava esse dom, lembrou-se do ódio que sentia de si mesmo quando a sua família foi ameaçada e que nem poderia estudar direito ou se divertir, “tinha que ser um agente da justiça”.

“Por que isso agora meu Deus? Por quê? Logo agora que eu estava me acostumando, que todo o mundo iriam me conhecer, eu seria reconhecido. Eu não posso perder esses poderes, não quero voltar a ser um ninguém, não quero perder meus amigos a minha fama. Ser o que eu era antes? um sujeito sozinho e depressivo e que ninguém o admirava? Não, por favor, não, se isso for verdade as pessoas irão rir de mim, alguns irão se vingar, não posso perder isso, estava acostumado, até gostava disso, já estava começando a controlar a minha força, não estava mais sendo tão arrogante, e agora isso acontece? Sempre que eu estou feliz, me acostumo tem que acontecer alguma coisa contra mim, tinha aprendido até mesmo a lidar com as pessoas. Era tão engraçado as pessoas olharam para mim com admiração, as garotas e tudo mais, minha família…”

Quando chegou a casa não quis conversar, foi para o quarto tirou a roupa suja de sangue, vestiu uma camisa qualquer, foi tomar banho, passou minutos chorando, se questionando, pensando como seria quando a cidade descobrisse. Terminou a tarefa sem falar nada, sua mãe fazia perguntas e ele não respondia, entrou no quarto, trancou a porta e foi tentar dormir. O mesmo discurso foi repetido “Por que agora?” caiu no sono rapidamente, estava muito cansado. O que ele sonhou naquela noite? Não importa, o que importa é que ele não queria sonhar quando foi dormir, o que queria era apenas acordar daquele pesadelo.